Plano de educação de Haddad inclui valorização de professores e o dobro de vagas em tempo integral

O plano de governo de Fernando Haddad para a educação de São Paulo promete dobrar, em quatro anos, o número de vagas em tempo integral nas escolas do estado, o suficiente para receber a metade dos alunos da rede. Para os professores, a proposta é recompor salários e instituir planos de carreira baseados em concursos públicos, após anos de contratações com vínculos temporários.

O objetivo da gestão petista é fazer a educação de São Paulo voltar a ser uma referência no país. No governo de Tarcísio de Freitas, o estado caiu seguidas vezes no ranking do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). O Ensino Médio paulista, por exemplo, foi apenas o décimo colocado no exame de 2025.

Para melhorar o desempenho nessa fase do ensino, Haddad propõe a criação do Pé de Meia Paulista. Em linha com o Pé de Meia federal, o projeto vai garantir que o filho do trabalhador termine a escola com poupança no banco, como o filho do rico sempre terminou.

A alfabetização na idade certa se tornou um problema em São Paulo. Hoje, quatro em cada dez crianças da rede paulista não aprendem a ler na idade certa, atrás da média do Brasil.

A resposta de Haddad é a criação do programa Hora de Aprender. Partindo de um pacto com os 645 municípios, o estado vai instituir um placar público da alfabetização. A ideia é mostrar a porcentagem de crianças que sabem ler e escrever em cada cidade. Ao final do mandato, a gestão quer alcançar 100% de crianças alfabetizadas na idade certa.

Outro gargalo histórico em São Paulo é a falta de vagas na primeira infância, que atrasa o ensino das crianças e se torna um problema para milhares de mães no estado. Segundo dados da PNAD Contínua 2024, cerca de 211 mil crianças de 0 a 3 anos tinham dificuldade para acessar creches em São Paulo, o maior número do país.

Com o programa Creche Paulista, o estado vai entrar com dinheiro para construir novas creches em parceria com os municípios. Enquanto a vaga pública não chegar para todas as crianças, o governo vai ajudar a prefeitura a pagar a vaga em uma creche conveniada, para que nenhuma criança fique desamparada.

CEUs no interior

A gestão Haddad vai levar os CEUs para o interior do estado. Assim como na periferia da capital, os centros vão reunir escolas, bibliotecas, teatros, quadras, piscinas, salas de informática, espaços culturais e áreas de convivência. É onde as crianças estudam, praticam esporte, aprendem música, encontram livros de todos os tipos e participam de atividades culturais.

Outra aposta do novo governo é o TotaltecSP — Educação Técnica, Tecnologia e Trabalho. O primeiro passo será fortalecer o Centro Paula Souza. Com orçamento permanente e carreira estruturada para os servidores, o centro terá papel fundamental na articulação entre ETECs, FATECS e outras escolas estaduais de Ensino Médio, além de formar parcerias com os Institutos Federais e o Sistema S para criar Polos Territoriais de Ensino Profissional.

Cada um desses polos vai aproximar o estudante do chão da empresa. O Programa de Aprendizagem Profissional colocará o jovem para aprender com quem produz e também vai incentivar a pesquisa aplicada, com apoio da Fapesp e registro de patentes, transformando conhecimento em tecnologia que a indústria paulista pode usar.

Valorização dos professores

A gestão Haddad promete devolver a autonomia pedagógica aos professores, encerrando as metas de tempo de tela, revendo o uso de plataformas sem eficácia comprovada e adotando o livro didático nacional (PNLD) como referência na sala de aula. A tecnologia será um instrumento de quem ensina, e não um fiscal.

O governo vai fazer das universidades públicas um motor para a formação dos professores. Com a Residência Docente Paulista e a bolsa de iniciação à Docência Paulista, estudantes de licenciatura serão remunerados para atuar desde cedo nas escolas da rede.

Mais pesquisa

A área de ciência, tecnologia e inovação é fundamental para o crescimento econômico e para a produção de conhecimento no estado. Nos últimos anos, a gestão Tarcísio cortou cargos e enfraqueceu os institutos de pesquisa, um patrimônio que São Paulo levou mais de um século para construir.

A gestão Haddad vai recuperar as instituições públicas, colocando as universidades do estado em destaque. O novo governo vai garantir que, com a entrada em vigor da Reforma Tributária, não haverá redução no financiamento das universidades estaduais nem da FAPESP, fixando regras que substituirão as vinculações atuais.

São Paulo ainda vai ampliar o investimento em pesquisa e pós-graduação, além de instituir o Plano Estadual de Assistência Estudantil, com o Bom Prato Estudantil, e expandir o ensino superior no interior e nas periferias, fortalecendo a Univesp.

Cultura levada a sério

O novo governo vai triplicar o Proac, programa de incentivo à cultura do estado, com transparência e critérios bem definidos, para retomar a produção artística em São Paulo.

Na mesma linha, vai reabrir os equipamentos culturais fechados ou subutilizados, dos teatros e bibliotecas às salas das escolas estaduais, que vão ficar à disposição do público mesmo à noite e nos finais de semana, valorizando as manifestações culturais de cada região do estado.

A gestão Haddad ainda vai criar a SPCine Estadual, seguindo os moldes do programa mantido pelo petista na prefeitura. Para levar o audiovisual ao interior, editais serão desenhados com a participação dos municípios, garantindo a abertura de salas públicas de cinema e de estruturas de apoio à filmagem.