O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad lança o SP Protege, um programa de segurança pública para combater o crime de verdade. O plano indica a criação do Placar de Segurança, com dados de resolução de crimes a cada três meses, e da Agência Estadual Antifacção, que vai integrar órgãos estaduais e federais para combater organizações criminosas.
O SP Que Protege tem como eixo central a iniciativa Impunidade Zero, para que os crimes finalmente sejam resolvidos no estado. A estratégia se organiza em três frentes: nas ruas, nas casas e “no andar de cima”. A inteligência artificial (IA) será usada na prevenção de crimes e para aumentar a eficiência das investigações.
Nas ruas, a proposta é integrar polícias e guardas municipais com um maior uso da tecnologia. A IA vai cruzar as imagens das câmeras, os dados de ocorrência e as chamadas ao 190 para montar mapas de calor que mostram onde e quando o crime acontece – colocando a viatura no lugar certo, na hora certa, para prevenir o crime.
O 190 terá resposta rápida: a chamada é cruzada em tempo real com o sistema de inteligência e câmeras, que localiza a ocorrência e viabiliza o acionamento imediato da viatura mais próxima. E o policial terá o poder de investigar e desvendar o crime, com sistema que cruza imagens, boletins e chamadas para transformar dezenas de roubos soltos numa única investigação, com suspeito e prova robusta.
Além disso, será criado o Placar da Segurança, que vai publicar a cada trimestre os indicadores de esclarecimento de roubo, furto, homicídio e feminicídio, com dados abertos por região e metas públicas. Um dos objetivos é tirar a cidade de São Paulo da terceira posição entre as capitais com mais roubos de celular no Brasil.
O maior estado do país também tem um dos piores indicadores de resolução de crimes. Só 31% dos homicídios foram esclarecidos em 2023, o pior resultado de São Paulo na série histórica. A média do Brasil foi de 36% e alguns estados superaram os 70% de resolução de assassinatos.
Segurança em casa e combate às facções
Nas casas, o objetivo é proteger mulheres, crianças e idosos, alvos frequentes de violência doméstica no estado. Uma das propostas é fortalecer a ação da Delegacia da Mulher (DDM), para melhorar a categorização de casos e facilitar o acionamento da polícia. Uma plataforma com IA vai cruzar dados e alertas de diversas áreas para classificar o risco de crimes, permitindo que as policiais das DDMs ajam antes da tragédia.
Em 2025, o Estado de São Paulo registrou 270 feminicídios, o maior número da série histórica. Boa parte desses crimes acontece dentro de casa. Para crianças e adolescentes vítimas de violência, será garantido atendimento especializado e prova pericial em até 48 horas, para que nenhum caso se perca entre a denúncia e a responsabilização. E para a pessoa idosa, que sofre calada dentro da própria família, haverá um canal de denúncia com resposta e acompanhamento de cada caso.
No andar de cima, o objetivo de Haddad é combater o comando do crime organizado, assim como fez no Governo Federal. A Operação Carbono Oculto, que teve participação decisiva da Receita Federal, revelou que fintechs usadas pelo esquema movimentaram 52 bilhões de reais ligados ao PCC entre 2020 e 2024, com cerca de mil postos de combustíveis envolvidos.
Será criada a Agência Estadual Antifacção, uma estrutura permanente de inteligência e investigação sob a direção estratégica do governador, reunindo Ministério Público, polícias, Receita Estadual e órgãos de controle. O objetivo é desarticular as organizações criminosas com bloqueios de patrimônio, retirada de mecanismos criminosos que operam na economia formal e destinação social de bens confiscados.
Mais segurança no interior
O programa SP Protege também traz medidas específicas para o interior e o litoral do Estado de São Paulo. No caso do interior, a proposta é estabelecer o patrulhamento de corredores logísticos como uma estrutura permanente de combate ao roubo de cargas. A prioridade é combater o furto de gado, maquinário, defensivos e insumos, além da receptação que financia esses crimes, com atenção especial aos pequenos produtores e articulação com os estados vizinhos nas divisas.
Será criada uma força-tarefa permanente do Porto de Santos, com mandato e orçamento próprios, reunindo o Estado, a Agência Estadual Antifacção, a Receita Federal, a Polícia Federal, a autoridade portuária e a Marinha. O objetivo é combater o tráfico transnacional e demais crimes que usem o porto como porta de saída.
Valorização da polícia e câmeras corporais
O governo Haddad pretende estabelecer um plano de carreira estruturado para a polícia, com valorização salarial e promoções por critérios profissionais, sem interferência política. Não existe segurança pública forte com profissionais desvalorizados.
Hoje, o salário médio da polícia no estado mais rico do país está abaixo da média nacional. Com o programa SP Protege, as câmeras corporais terão gravação contínua durante todo o serviço na rua, sem depender do acionamento de cada agente, protegendo o cidadão nas ocorrências e o policial contra acusações injustas.
Com esse mecanismo, as mortes de agentes em serviço caíram 62,7% entre 2019 e 2022. Nos anos seguintes, com o fim da gravação contínua, o número de óbitos voltou a crescer.
Participaram da construção do programa:
Benedito Mariano
Sociólogo e Mestre em ciências sociais. Coordenador do Núcleo de Segurança Pública na Democracia do IREE. Foi Ouvidor da Polícia do Estado de São Paulo.
Claudinho Silva
Professor, militante do movimento negro e referência em segurança pública e direitos humanos. Ex-Ouvidor das Polícias do Estado de São Paulo, atua na interseção entre controle externo da polícia, políticas de juventude e periferia.
Emídio de Souza
Deputado estadual e coordenador do programa de governo de Fernando Haddad. Foi prefeito de Osasco.
Igor Marchesini
Engenheiro, empreendedor e conselheiro em tecnologia. Atualmente foca na interseção entre Inteligência Artificial, Política Pública e Desenvolvimento Econômico.
Leandro Piquet Carneiro
Economista com mestrado e doutorado em ciência política. É professor do Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo e pesquisador do Núcleo de Pesquisas em Políticas Públicas (NUPPs) da mesma faculdade.
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