A Operação Carbono Oculto, deflagrada em 28 de agosto de 2025, foi a maior ofensiva da história do Brasil contra o crime organizado, focando no asfixiamento financeiro e na lavagem de dinheiro de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) no mercado formal. O então ministro da Fazenda e agora pré-candidato ao governo do Estado de SP, Fernando Haddad, teve papel central em sua concepção, pois a investigação nasceu de uma inteligência interna estruturada dentro da Receita Federal.
Foi Haddad que determinou a criação de um núcleo de inteligência especializado dentro da Receita Federal para mapear os fluxos financeiros do crime organizado. O foco da gestão da Fazenda foi atacar “o bolso” das organizações criminosas, interceptando a infiltração de bilhões de reais na economia.
A operação serviu como exemplo de integração entre órgãos, iniciando-se com o Ministério Público de São Paulo e a Receita Federal, contando posteriormente com o apoio da Polícia Federal. “Quando a gente fala de Faria Lima, não estou falando do mercado financeiro tradicional. Estou falando de gente que ganhou tanto dinheiro que começou a alugar andares dos prédios mais chiques da cidade”, afirmou. Haddad ressaltou que as cifras em jogo são expressivas e tendem a crescer conforme as apurações avancem.
“Não tenho dúvidas de que com o aprofundamento das investigações, a operação chegaria a centenas de bilhões de reais lavados pelo crime organizado”, disse. Apenas em São Paulo, lembrou, já foram identificados R$ 52 bilhões movimentados.
Operação e Banco Master
Foi por meio da operação que foi possível descobrir a ligação entre o caso Reag e o Banco Master. Ambos passaram a ser investigados pela Polícia Federal como parte de um esquema financeiro. A Reag atuava como gestora de fundos de investimento, e alguns tinham relações com o Banco Master. Foram identificadas operações bilionárias, com cerca de 11,5 bilhões de reais pelo Banco Central envolvendo o Banco Master e os fundos que a Reag administrava, que levou à descoberta da maior fraude financeira do país e à prisão do banqueiro Daniel Vorcaro.



